O que falta para melhorar a Gestão de Obras no Brasil?

Não é novidade para nenhum profissional de construção civil, com um mínimo de experiência, que algo vai muito mal na nossa área de atuação. Digo isso não por falta de profissionais capacitados tecnicamente, mas por falta de bons modelos de gestão de obras. Partindo das etapas iniciais de um empreendimento, ainda quando ele está sendo concebido, até a execução e finalização das obras, algo parece estar muito errado. A sensação de que algo não foi feito conforme planejado, ou ainda, de que algo planejado não tem nada a ver com o escopo da obra, de que os custos foram mal dimensionados, que as equipes são insuficientes e que não há controle do andamento da obra, esses são sentimentos comuns aos profissionais de construção civil. Uma pena, pois com um pouco mais de dedicação e empenho, resultados satisfatórios são alcançáveis.

Quando falamos de gestão de obras, logo lembramos de livros e aulas da época de graduação com o tema planejamento e controle de obras. Aparentemente assuntos que não são tão importantes, afinal são raríssimos os casos de universidades brasileiras de engenharia, arquitetura ou escolas técnicas para mestres de obras e construção civil que dedicam horas ou créditos em suas grades curriculares para essa disciplina ou outras correlatas. Sem falar, que as grades de Engenharia e Arquitetura estão décadas atrasadas devido a ausência de disciplinas sobre Gestão de Projetos para os estudantes (isso é outra história…).

Gerir bem obras é pré-requisito para contratação de qualquer profissional, porém, no mercado de construção civil brasileiro, só há espaço para desenvolvimento de bons gestores de obras com a experiência, porque como já falamos, é deficiência geral nas universidades. Para profissionais de engenharia civil, principalmente para quem está todo dia na obra, gestão de custos, prazo, qualidade, escopo, materiais e pessoas parece tomar mais tempo que a aplicação dos conhecimentos técnicos absorvidos durante cinco anos ou mais.

Então a pergunta, o que há de errado?

Devido a falta de investimento por parte das universidades em preparar bem os profissionais para a construção civil, buscando desenvolver não apenas os aspectos técnicos, mas incentivar competências de gestão, o aprendizado diário nas obras para os recém-chegados no mercado também é deficiente.

As empresas de construção civil, quando tratam da gestão de suas obras, parecem se importar apenas com a etapa de planejamento, esquecendo completamente de desenvolver indicadores de controle para seus empreendimentos. Talvez pela característica dinâmica e mutável de obras no Brasil, não sobre tempo para inserir rotinas periódicas de controle do andamento dos serviços. Quando ainda encontramos empresas que procuram minimamente exercer o controle de suas atividades, o fazem apenas procurando encontrar os desvios entre planejado e realizado, esquecendo de analisar os motivos ou causas pela ocorrência destes desvios.

É importante entender que todo planejamento ou plano de ação, que quase sempre busca a redução de custos, só se torna efetivo durante a execução do empreendimento, portanto, a real economia para as obras está, não no planejamento, mas no controle exercido durante a execução das obras. Só isso bastaria para concretizar a necessidade de implantação de rotinas de controle do andamento físico e financeiro de uma obra.

Muitas dificuldades são encontradas na prática e no dia a dia da construção civil. Todas elas contribuem para a pouca ou nenhuma aplicação de abordagens para gerencimento de obras. Algumas são:

  • Falta de produtividade da mão de obra
  • Falta de acompanhamento e fiscalização das obras
  • Gestão ineficiente de materiais
  • Visão de curto prazo
  • Tocadores de obra
  • Comunicação falha devido a falta de integração
  • Interrupções constantes
  • Rotinas de execução incompletas, etc.

E então, o que falta para que a construção civil brasileira, apesar de raras exceções, tenha melhores resultados quando o assunto e gerenciamento?

Penso constantemente em como os modelos de planejamento e controle de produção industrial se adaptariam ao nosso mercado. Já existem sim bons modelos para controle da produção aplicados à construção civil, porém muito pontuais e espaçados. Seria essa uma solução possível? Como seriam as obras com controles eficientes de produtividade? Trariam melhorias ou cairiam em desuso? Investimento na formação de profissionais com competências gerenciais realmente ajudariam a extinguir o tocador de obras? Existem várias vertentes, claro que não chegaremos a um consenso, porém devemos sempre buscar soluções novas. Visões que fogem do padrão comum encontrado por aí.

Se você gostou deste tema, acompanhe a Flennar Academy, pois aqui trataremos de ferramentas e técnicas que irão te guiar para resultados melhores no mundo que exige cada vez mais gestores do que engenheiros, arquitetos, mestres, e outros.

Por fim, deixe sua opinião!

O que você acha dos modelos de gestão de obras comumente encontrados no Brasil?

Princípio de Pareto e Curva ABC na Engenharia

HISTÓRIA DA ELABORAÇÃO DO PRINCÍPIO

O Princípio de Pareto é largamente utilizado nas áreas de engenharia para análise de dados. Além do nome citado anteriormente, seus conceitos podem ser encontrados como a regra do 80-20 ou ainda curva ABC. Vilfredo Pareto, italiano, em 1897 realizou um estudo sobre distribuição de renda e descobriu que não ocorria uma distribuição de maneira uniforme entre a população (e nem precisava de pesquisa para descobrir isso). Algo valioso que foi descoberto é que, aproximadamente, 80% das riquezas estavam nas mãos de 20% da população, portanto, o inverso era verdade, com 80% da população detendo 20% da riqueza.

Aos poucos este padrão foi sendo encontrado em diversas áreas. Veja:

  • Qualidade: 20% dos defeitos afetam 80% dos processos.
  • TI: 80% do esforço é empregado para produzir 20% do código.
  • Estoque (comercial): 20% dos produtos armazenadas correspondem a 80% do valor dor artigos estocados.

O PRINCÍPIO DE PARETO NA ENGENHARIA (CUSTOS)

Na engenharia, o Princípio de Pareto destaca-se principalmente na área de custos, quando se elabora um orçamento ou realiza-se uma análise de custos. Comumente será tratado na área de construção civil como Curva ABC. A seguir explico melhor.

Durante a elaboração de um orçamento, algumas etapas são necessárias, resumidamente listo abaixo:

  1. Análise dos projetos
  2. Identificação dos serviços
  3. Levantamento de quantidades
  4. Elaboração da composição de custos
    1. Listagem dos insumos, que podem ser:
      1. Material
      2. Equipamento
      3. Mão de obra
  5. Formalização do orçamento analítico (detalhado) e sintético.

Assim que a elaboração do orçamento é finalizada, o orçamentista deverá analisar quais são os principais custos da obra, verificando na lista de insumos aqueles que apresentam os custos mais elevados. É importante lembrar que, para verificar os insumos que estarão no topo da lista, deve-se considerar as quantidades de cada um, afinal uma luminária que custa R$ 400,00 mas só será adquirida uma unidade para a obra e uma lâmpada de R$ 21,00 onde serão adquiridas 30 unidades, vale atenção especial para a lâmpada.

NA PRÁTICA

Vamos agora analisar uma composição de custos fictícia para entender melhor como aplicar o conceito. A composição abaixo contempla a execução de revestimento interno e externo de um edifício.

Dica: Clique nas imagens para vê-las no tamanho original.

Análise da composição de custos.
Análise da composição de custos.

Abaixo a planilha completa da composição de custos utilizada:

Composição de custos completa
Composição de custos completa

A partir das composições de custos podemos agrupar os insumos que se repetem e coloca-los em ordem decrescente (com um conhecimento básico de Excel você resolve isso). A Curva ABC será criada a partir de uma tabela com, no mínimo, as seguintes colunas:

Tabela para analisar os insumos da obra e gerar a curva ABC.para analisar os insumos da obra e gerar a curva ABC.
Tabela para analisar os insumos da obra e gerar a curva ABC.

Na coluna Insumos teremos a lista dos insumos utilizados. A coluna “%” indica o percentual do custo do insumo na linha em relação ao custo total dos insumos. Já a coluna “% Acumulado” corresponde ao somatório do percentual do insumo da linha mais o “% Acumulado” da linha anterior.

Como o próprio nome diz, essa curva é dividida em três faixas:

A – Representa a lista de itens com percentual acumulado até aproximadamente 50%.

B – Indica os insumos com percentual acumulado de 50% a 80%

C – Indica, por fim, aqueles insumos com percentual acumulado de 80% a 100%.

Para gerar sua tabela origem para a curva ABC, basta colocar os valores da coluna “%” em ordem decrescente.

A grande sacada da Curva ABC aliada ao princípio de Pareto é que a quantidade de itens presentes nas faixas A e B correspondem, juntas, a aproximadamente 20% dos itens, porém 80% do custo total. Nota: Estes percentuais são aproximados, claro que existe uma variação, mas o conceito geral é este.

A seguir a curva ABC do orçamento apresentado anteriormente:

Diagrama de Pareto + Curva ABC
Diagrama de Pareto + Curva ABC

Conforme cita o autor Aldo Mattos no livro Como preparar orçamentos de obras, a curva ABC irá direcionar o engenheiro ou comprador a destinar seus esforços na gestão de suprimentos daqueles que são os insumos com maior participação no custo da obra, afinal, vale muito mais a pena um desconto pequeno em um insumo que está na faixa A do que um desconto em um insumo presente na faixa C, por exemplo.

E aí, o que achou? Deixe sua opinião nos comentários.

Abraço e até a próxima.

Como preparar um Planejamento de Obras? – Primeiros Passos

Um dos maiores desafios para os Engenheiros é sentirem-se aptos a elaborar um bom planejamento para seu projeto. O principal desafio é a experiência, afinal a falta de conhecimento dificulta muito a elaboração do planejamento. Mesmo profissionais com alguma experiência, por vezes não conseguirão elaborar um bom planejamento para o seu empreendimento. Bons planejamentos são elaborados por equipes e não por um único profissional, é aí que entra o principal papel das corporações, incluindo nessas equipes os jovens engenheiros para que tenham o desenvolvimento desejado.

Existem diversas fases de um projeto em que trabalhamos com a elaboração de um planejamento, porém, estaremos voltados aqui ao planejamento para execução do projeto, onde já temos as informações necessárias para o início das atividades. Como tudo na vida é difícil, dificuldades serão encontradas por aqui, pois não é raro recebermos projetos incompletos, confusos ou inapropriados para execução da obra. Por vezes temos apenas os projetos básicos para a obra e muitos dos serviços não são claramente identificados. E para concluir esta introdução, cabe frisar que planejamento é uma etapa prévia à execução da obra.

Na prática, a elaboração do planejamento para execução do projeto baseia-se na criação de um cronograma detalhado. Com o cronograma em mãos obtém-se a distribuição de mão de obra, equipamentos e materiais, em nível físico e também financeiro. Em outras palavras, com o planejamento conseguimos elaborar o cronograma físico-financeiro (veremos em breve um artigo sobre o assunto).

No livro Planejamento e Gestão de Obras (Fritz e Gehbauer), o autor traz três níveis de detalhamento para o planejamento:

  1. Cronograma geral (informações gerais do empreendimento, prazo para execução da obra)
  2. Cronograma detalhado (identificação dos serviços a executar divididos em pacotes de trabalho)
  3. Organização dos processos de trabalho: Quem faz O Quê, Quando e Como?
Níveis de Planejamento, Flennar Academy
Níveis de planejamento, Flennar Academy

Vale lembrar que com um bom planejamento em mãos podemos tomar medidas que otimizarão o processo executivo, trazendo economia e produtividade ao projeto. O planejamento também serve como instrumento para monitoramento e controle da obra. Um bom fluxo para elaboração de um planejamento pode ser:

  1. Definição das atividades e método construtivo
  2. Determinação dos índices de produtividade (mão de obra e equipamentos) e rendimento (materiais)
    1. Estimativa de durações (análise de recursos disponíveis)
  3. Levantamento dos recursos necessários
  4. Elaboração de cronograma preliminar
  5. Ajustes
  6. Elaboração do cronograma definitivo
    1. Documento para monitoramento e controle
Etapas para elaborar o cronograma, Flennar Academy
Etapas para elaborar o cronograma, Flennar Academy

Durante a elaboração do nosso cronograma, estaremos criando também uma estrutura da obra, onde as tarefas serão divididas em pacotes de trabalho, agrupadas hierarquicamente, como em um organograma, entre tarefas-mãe e tarefas-filho. Esta estrutura é conhecida como EAP, ou Estrutura Analítica do Projeto. Com ela, devido a categorização das tarefas, fica mais fácil enxergar o sequenciamento e andamento dos serviços.

Modelo de EAP, Flennar Academy
Modelo de EAP, Flennar Academy

É importante destacar que o planejamento não é uma tarefa única, que ocorre em apenas uma etapa do projeto, pelo contrário, por ser uma ferramenta de monitoramento e controle deve ser sempre analisada e, se necessário, ajustada às demandas e ocorrências do projeto ao longo do ciclo de vida. O que não pode acontecer é o constante ajustamento do planejamento para coincidir com o andamento da obra, deve-se ajustar a obra para que alcance as definições estipuladas pelo planejamento e, se não for possível, realizar ajustes no planejamento para que a execução da obra seja factível.

Ao longo do tempo trataremos com mais detalhes os coneceitos comentados neste artigo! 😉

E nos seus projetos e empreendimentos, como é tratado o processo de elaboração do planejamento?

Abraço a todos!

Por que criei um blog?

Olá pessoal, meu nome é Fabrício Guimarães, fundador e professor da Flennar Academy. Se você chegou aqui e quer entender do que se trata este site, vou esclarecer agora. 😉

Criei a Flennar Academy há algum tempo, mas só neste ano de 2016 resolvi dedicar um pouco mais tempo a este projeto. Afinal, o que é a Flennar Academy? Simples, um canal com o intuito de compartilhar com todos os interessados, conhecimentos, técnicas e ferramentas na área de gerenciamento de obras, orçamento e planejamento, além da aplicação dos conceitos de gestão de projetos para o mercado de construção civil. Como já se pode imaginar, sou graduado em Engenharia Civil e concluinte de uma MBA em Gestão de Projetos.

Apesar do foco em construção civil, claramente muitos dos assuntos que serão tratados aqui podem auxiliar profissionais das mais diversas áreas. Por exemplo, muito do que se aplica de gestão à construção civil pode ser compartilhado com outras engenharias. Os tópicos de gestão de projetos podem ser interessantes para acadêmicos e profissionais da área de Administração, portanto, não deixe de visitar o site.

Ao longo deste projeto, que é a Flennar Academy, vou compartilhar com todos os visitantes tudo que venho aprendendo na prática e também na teoria, sobre gestão de projetos. Há alguns meses atrás, gravei algumas aulas sobre o básico do software MS Project e, sem pretensão nenhuma, meu canal do Youtube, que até então não tinha vídeos, já alcançou mais de 80 mil visualizações e, no dia 22/10/2016, estamos com 995 inscritos no canal, ou seja, em alguns instantes teremos 1.000 inscritos, que sem dúvida é uma data marcante para qualquer um. É por isso que decidi desenvolver mais conteúdos, nas áreas já citadas, a fim de ajudar inúmeros profissionais recém formados e estudantes das área correlatas.

Sempre que possível, deixe seu comentário com sugestão, agradecimento ou crítica, serão valiosos para este projeto. Se você ficou interessado no curso básico de MS Project que citei, pode acessar a playlist pelo link a seguir: https://www.youtube.com/playlist?list=PLdHAHijhID2JpxLK4ycUgaXmM4Jl8_tk7

Se você quer me conhecer um pouco mais, acesse meu perfil no Linkedin, lá também publico alguns artigos. Este é o link: https://br.linkedin.com/in/fabriciolennar

Por fim, se quiser acompanhar a Flennar Academy nas demais redes sociais, abaixo estão os links do Facebook e Twitter:

Espero que gostem da experiência, voltem sempre!

Um abraço a todos!

Atenciosamente,
Fabrício Guimarães